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06 Mar
Autor: Por: NATANY BORGES - http://www.gaz.com.br Categoria: Aposentadoria O laboratório de transformação das pessoas maduras em Santa Cruz

A partir do próximo dia 13 de março, alunos acima de 60 anos se destinarão à Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) para aprender. E compartilhar. História da arte, oficina literária, nutrição funcional e até biodança são apenas um exemplo de todas as disciplinas que a sexta turma da Universidade do Adulto Maior (Uniama) vai explorar em 2019. Quem não quiser perder essa oportunidade ainda tem tempo. Matrículas para o curso universitário de extensão serão aceitas – e muito bem-vindas – até o dia 13. A formação dura dois anos, mas o convívio nos projetos da universidade pode seguir por outros tantos mais. Já os reflexos sentidos na autoestima dessas turmas então... bem, esses são difíceis de calcular. 
 


A melhor parte é que, para ingressar na Uniama, não há prérequisito educacional. Apenas idade: 60 anos ou mais. Em uma mesma sala de aula misturamse aposentados com pós-gradução no currículo e aposentados com o primário – e muita história de vida nas costas. O que vale, segundo a coordenadora do projeto, Samara Bittencourt Berger, 66, é vontade de aprender e encarar a vida com outro olhar. “Eu enxergo a Uniama como uma ressignificação da própria existência. São pessoas que sabem que têm muita coisa para fazer e aprender. É encarar o envelhecer como um ato pedagógico.”

 

 

Já diria seu Nadir Bortolini, 70. Ele, que trabalhou a vida inteira como professor de português, ao se aposentar, descobriu por meio da Uniama que poderia também ser fotógrafo. E não parou mais. O santa-cruzense não só ficou responsável por fotografar todas as viagens e eventos da turma (que é grande!), como recentemente comprou um drone. “É para ir mais longe”, garante. 



Do outro lado da sala, tem também a dona Anemary Silveira, 69. Durante as aulas de oficina literária, o professor lhe disse que levava jeito para escrever crônicas. E como ela ficou? Toda encabulada. E também realizada, afinal entendeu que podia reinventar uma versão de si com a prática de algo novo. “Esse curso rejuvenesce o cérebro e desperta dons que até então estavam adormecidos. Tu te reconheces como um ser superável”, diz, toda faceira. 

 

 

Mestres 

Há ainda aqueles mais quietos que esperam para comentar quando todos já tiveram o seu espaço de fala. Mas aí, meu amigo, quando soltam o verbo, é verbo que arrepia. “Não economize tempo para você, cultive boas amizades, viva intensamente e não se aborreça porque pequenos obstáculos sempre existirão.” Esse trecho foi lido por seu Heraldo Kittel, 62 anos, egresso do curso. Ele redescobriu a sua intimidade com as palavras e agora lança mão de poesias e redações em nome da turma. Precisam é ver a preciosidade do texto que declamou para os colegas nessa quarta-feira à tarde. 

 

 

Através de tantos momentos compartilhados, também tem aluno que aprendeu a se alimentar melhor, a fomentar a espiritualidade e quem saiu dando oficinas por aí. Lembra do seu Bortolini? Pois no último Fórum Gaúcho do Ensino Superior sobre Envelhecimento Humano, em Caxias do Sul no ano passado, ele ensinou técnicas de fotografia. Não há mesmo limites para quem quer aprender. Quem abraça as novas possibilidades e concede novos sentidos ao envelhecer. Quem dá o impulso é a Uniama.

 

 

Com formatura e tudo

O que acontece após dois anos de estudo, participação em fóruns no Estado (e Brasil afora) e exposição de trabalhos? Uma formatura, é claro! E a cerimônia da Uniama acontece no auditório central com direito a chapeu, discursos e, claro, muita festa. Olha os chapéus voando ali. Conforme a coordenadora do projeto, pelo menos 150 alunos já passaram pelo curso universitário de extensão. 

 

 

A Uniama tem como principal objetivo oferecer um espaço de educação permanente e multidisciplinar. Ele integra o programa Terceira Idade na Unisc, iniciativa que oferece outros cinco projetos dentro da universidade. 

 
 

Eles não param nem um segundo

Quem disse que o projeto Uniama acaba quando as aulas se encerram? Negativo. O envolvimento de boa parte dos alunos do curso de extensão é tão grande que eles fazem questão de não romper o vínculo com a Unisc. Prova disso é o número de “jovens maduros”, como apelidou seu Heraldo, que se desafiaram a aprender um novo idioma no Centro de Línguas e Cultura – Programa Tempo: foram pelo menos 60. “Voltamos a ser estudantes e não paramos mais”, lembra Clarice Steffens, de 72 anos. 
 


Todos já estão mobilizados também para participar do Fórum Nacional de Projetos da Terceira Idade de Instituições de Ensino Superior, que ocorrerá em Sergipe, no mês de outubro. Antes disso, eles prometem estar presentes na 6ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa ali mesmo, na Unisc, no próximo dia 11. O tema do encontro será “Os desafios de envelhecer no século 21 e o papel das políticas públicas”. 

 

 

Exercita a capacidade intelectual 

Um dos principais diferenciais da Uniama é o fato de envolver os idosos em atividades que não estejam restritas ao universo da socialização. Segundo a professora da disciplina Pedagogia do Envelhecer, Susana Mas, desde a criação do programa Terceira Idade na Unisc, em 2009, pensou-se em criar um projeto para superar a visão de que os grupos eram apenas recreativos. “Essa ideia, à época, foi muito defendida por professores dos departamentos de Educação Física, Saúde e Psicologia.” 
 


Foi assim que há cinco anos nasceu o Uniama, uma iniciativa que prioriza fomentar a capacidade intelectual dos alunos em um ambiente desafiador de muito aprendizado. “É a oportunidade de ampliar e desenvolver algum saber que, até aquele momento da vida, a pessoa não tinha conseguido. Por isso ensinamos História da Arte, Cidadania, entre tantas outras disciplinas. Eles aprendem, atualizam-se e refletem sobre o conhecimento adquirido”, complementa a professora. 

 

 

A coordenadora Samara Berger destaca o incentivo para que as turmas testem novas coisas. É por isso que tem aula de inclusão digital, com aulas de redes sociais e aplicativos, gastronomia, saúde do idoso e oficina de memória. “Para mim, a Uniama é um laboratório de transformação da pessoa idosa. Todos mudam para melhor aqui dentro.”

 

 

Como funciona

Interessados no projeto Uniama podem entrar em contato pelo telefone (51) 3717-7344. A matrícula custa R$ 25,00 e a mensalidade, R$ 150,00. As aulas ocorrem todas as segundas, quartas e sextas, das 14 às 17 horas. O ato de inscrição deve ser feito pessoalmente.

 

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