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20 Ago
Autor: Guilherme Menezes da Integrar Gerações Categoria: Tecnologia A pandemia do Covid provocou um avanço do público no meio digital
No Brasil, há mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa expressiva parcela da população teve de se adaptar às atividades remotas e a distância durante a pandemia do coronavírus. Resultado: mudou a forma de consumo também, ficando mais digitalizada.
Para entender essa nova realidade, o fundador da Integrar Gerações, espaço de aprendizagem de Porto Alegre focado no público 60 , Guilherme Menezes, promoveu uma pesquisa on-line nacional com 459 pessoas com mais de 50 anos para analisar os comportamentos de quem já está na terceira idade ou chegando nela.
Um dos dados expressivos coletados no levantamento é sobre a participação em aulas on-line, que subiu de 22% para 53%. Pós-pandemia, 45% responderam que vão seguir realizando as atividades de forma virtual. "Percebemos que se abrem oportunidades muito grandes para os empreendedores. Aulas de inglês, aulas de canto e consultas vão seguir no presencial e no on-line", exemplifica Guilherme. Outro destaque é o fato de que a maioria dos entrevistados demonstrou desejo em retornar às atividades presenciais, como compras e cursos, mas existe tendência em buscar harmonia entre o digital e o presencial pós-pandemia. Para o empreendedor, os dados são importantes para traçar estratégias e começar a desenvolver produtos e serviços adaptados aos idosos. Conforme a pesquisa, 56% responderam que vão seguir participando e assistindo lives depois que o período de isolamento social passar. Além disso, o público 60 já sentiu que existem vantagens de ficar em casa para além da segurança à saúde.
Ao não ter de ir ao banco para pagar contas ou assistir a cursos, os idosos evitam assaltos ou acidentes de mobilidade, por exemplo. "Eles perceberam que a utilização da tecnologia e os serviços on-line trazem benefícios", destaca Guilherme. Mesmo sendo uma fatia de consumidores exigentes, o empreendedor acredita que vale a pena investir em soluções voltadas a eles. "Não é uma tendência, é uma realidade", afirma.
Alguns dados da esquisa da Intgrar Gerações:
  • A rede social com maior presença do público 60 é o WhatsApp, com 99%, seguido pelo Facebook e Instagram.
  • Ocorreu crescimento de 34% nos serviços de delivery de alimentos durante a pandemia.
  • Serviços de streaming de vídeo cresceram 10%.
  • Crescimento da presença em lives de 18% para 71%.
  • Participação em aulas on-line passou de 22% para 53%. No pós-pandemia, 45% responderam que vão seguir realizando essas atividades de forma digital.
  • Utilização de internet banking não se alterou durante a pandemia (69%). Porém, 81% responderam que, pós-pandemia, desejam utilizar esses serviços.
  • Redução de 67% das compras on-line de eletroeletrônicos para 60% durante a pandemia. Após o isolamento, 68% responderam que retornarão a realizar compras on-line desses produtos.
 
"Um dos desafios ao se desenvolver uma resposta ampla para o envelhecimento da população é olharmos para soluções segmentadas e sustentáveis no longo prazo. Uma parcela da população ainda sente dificuldade em encontrar produtos e serviços que enderecem suas necessidades especificas", afirma a gerente executiva da Neo Química, Natália Niro.
Para ela, os empreendedores que desejam trabalhar com esse tema devem, em primeiro lugar, entender a fundo o perfil de comportamento dessas pessoas. Natália destaca que elas respondem pela terceira maior atividade econômica do mundo, movimentando mais de US$ 15 trilhões por ano globalmente, e a busca por produtos e soluções segmentadas e personalizadas é cada vez maior, ao passo que a oferta ainda é desequilibrada.
"Necessidades não atendidas ao longo da vida, limitações de acesso e exclusão continuada sofrem um efeito acumulativo que se amplifica na velhice. Então, precisamos olhar para soluções que resolvam essas lacunas: qualidade de vida, mente ativa, mobilidade e segurança, aplicativos e programas de reinserção social e planejamento financeiro, por exemplo."
O Neo Acelera tem parceria com a investidora Yunus Negócios Sociais Brasil. Para Rafael Ucha, consultor em aceleração e inovação social da Yunus, o principal desafio de desenvolver negócios para o público 60 é desbravar um mercado em que poucos estiveram antes.
Segundo ele, esses indivíduos estiveram, até então, invisibilizados e marginalizados da sociedade em diversos aspectos. "Isso resulta em pouco conhecimento prévio sobre essas pessoas como consumidores. É necessário um trabalho para quebrar preconceitos e transformar percepções enviesadas e antiquadas que a sociedade ainda cultiva", destaca.
Desenvolver empatia, dar voz e envolver a população longeva no processo cocriativo dessas soluções são peças-chave.
"Um forte indício da importância disso é que muitos dos negócios bem sucedidos nesse segmento são capitaneadas por pessoas 60 , que se cansaram e resolveram, por conta própria, criar soluções para problemas que eles mesmos enfrentavam", afirma Rafael. Os negócios que estiverem concorrendo no programa Neo Acelera serão conhecidos em novembro deste ano.
Ao perceber que existia pouca tecnologia pensada para a terceira idade, a publicitária Patrícia Soares, 36, ficou inquieta. Pensando em facilitar a vida deste público e contribuir com a inclusão digital e social, ela e o sócio, Diego Andrade, que já trabalhavam juntos no mercado financeiro, montaram a Prestho, fintech de Minas Gerais voltada a facilitar o acesso ao crédito. Lançada em 2019, a plataforma, nos últimos meses, cresceu 331,6% em volume de acessos.
Com experiência de quase 20 anos com crédito consignado, Patrícia lembra que o principal desafio da ideia era eliminar a burocracia e a papelada do processo de obtenção de crédito. "Queríamos que o público fosse inserido no mundo da inovação, além de entregar a eles a autonomia para simular e contratar um empréstimo a qualquer hora e dia, sem sair de casa. Seja de madrugada ou em um domingo", afirma. Antes da plataforma ir ao ar, durante 12 meses, foi realizado um estudo sobre o comportamento e necessidades das pessoas idosas. "No desenvolvimento, analisamos que tipo de aparelho o público mais usava. A maioria tem aparelhos Android, com pouco espaço de armazenamento e, desta forma, o aplicativo tinha que ser leve", conta.
Ao desenvolver um aplicativo voltado para os mais velhos, eles previram as eventuais dificuldades. "O jovem já está inserido neste mundo digital e navega com facilidade em um aplicativo que foi desenvolvido pensando nas necessidades específicas dos seniores digitais. Já uma pessoa de 65 anos, que tem dificuldade de se relacionar com a tecnologia, não vai ter uma boa experiência em um aplicativo que for focado para jovens", exemplifica. A solução, então, foi desenvolver uma plataforma com linguagem adaptada, tamanhos de fontes e botões diferentes, cores, vídeo explicativo durante a jornada de contratação, informações claras e simples.
Para a publicitária, é preciso, cada vez mais, dar atenção ao nicho 60 . "Os estudos indicam que, em 2030, o número de idosos ultrapassará o número de crianças. É um público esquecido pelo mercado", destaca.Integrar Gerações digitais e de e-commerce. "Tivemos simulações de crédito por usuários acima de 60 anos entre 1h e 5h da manhã. Este comportamento mostra que os idosos estão cada vez mais conectados", acredita.

 

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