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08 Mar
Autor: Carolina Coral, especial para Inspira, Florianópolis Categoria: Aposentadoria Geração +50 em constante movimento

Uma nova tendência mundial está redefinindo o modo de ser e de viver das gerações que têm mais de 50 anos. São pessoas que estão reinventando um novo modelo de vida, com postura ativa, transformadora e libertadora, buscando a autenticidade e o protagonismo, independentemente da idade. Essa nova geração de adultos mantém o espírito jovem, com a vantagem tremenda de levar na bagagem ampla experiência de vida. Pesquisas demonstram que cada vez mais um número crescente de adultos “da melhor idade” terá o hábito de viajar, estudar novas áreas do conhecimento e decidir viver em outros países. 

Se antigamente chegar a determinada idade definia série de comportamentos, como se aposentar para não fazer nada, dedicar-se exclusivamente à família ou idas frequentes aos médicos, na atualidade é nessa fase da vida, agora com mais tempo e controle maior das finanças, que podem usufruir de um incrível leque de novas experiências.

O velejador conquistado pela solidão do mar

O florianopolitano e administrador de empresa, Luiz Rogério D´Ávila, 74 anos, começou a velejar na década de 1970 e nunca mais parou. Começou com um barco pequeno e foi comprando outros até adquirir o Plâncton, em 2010, uma construção náutica finlandesa que já permitiu a Rogério subir toda a costa brasileira, navegar durante três anos pelos mares do Caribe e desvendar as maravilhas das ilhas gregas, onde agora está aportado.

“Velejar sempre foi meu projeto de vida. Me programei financeiramente para que a renda dos meus imóveis alugados fossem minha aposentadoria e me proporcionassem liberdade para navegar pelo mundo”, explica Rogério. O velejador tem um estilo de vida regrado e diz que a idade nunca o limitou de velejar.

“Adoro tomar o vento na cara, gosto da solidão, de parar o barco e dar um mergulho em alguma praia paradisíaca. Não tem nada igual. Além disso, viver a bordo é mais barato do que viver em terra”, pontua. Recentemente, ele esteve com amigos brasileiros velejando pela Sardenha, na Itália. Lá, puderem atracar em diferentes portos, conhecer cidades, comprar produtos locais para cozinhar no barco e admirar belíssimos pores do sol em boa companhia. Para ele, ser ativo é mover-se pelo mundo, conhecer diferentes culturas. “Minha casa é onde meu barco está, tenho residência fixa aqui na cidade e fico nela durante o inverno europeu, mas conto os dias para voltar a velejar. É a razão da minha vida”, ressalta.

Hoje, com os aparelhos náuticos cada vez mais modernos é possível obter informações com precisão sobre o tempo de viagem, a direção do vento e o clima. O velejador também faz parte de um grupo de WhatsApp, os “Brasucas no Mediterrâneo”, no qual compartilham informações náuticas do interesse de todos e procuram de tempos em tempos se encontrar em algum porto no mediterrâneo no verão europeu.

A alemã seduzida pelos encantos da Ilha

Vanda Janzer, 78 anos, alemã, trabalha como psicoterapeuta e homeopata. Há 15 anos foi naturalizada brasileira. “Desde jovem, sabia que iria deixar a Alemanha. Quando conheci o Rio de Janeiro, em 1957, fiquei encantada, mas para ter certeza de que viveria no Brasil voltei mais cinco vezes em diferentes capitais do país até conhecer Florianópolis e decidir me mudar de vez”, conta.

A alemã resolveu mudar-se sozinha para a Capital catarinense aos 63 anos, fascinada pelas belezas naturais, pela segurança e também pela vida urbana e intelectual marcada pelas universidades. Sua casa fica na praia dos Ingleses, com vista para o mar. Vanda relata que logo fez amigos na região. Além disso, pôde continuar seu hobby – jogar golfe no Costão do Santinho.

“Quando cheguei aqui, senti um calor no coração das pessoas, que foram extremamente abertas e acolhedoras “, revela, emocionada. Outro desafio superado foi desde o primeiro dia tentar se comunicar em português, resolvido com um intensivo em língua portuguesa.

Há 30 anos, Vanda atua como terapeuta. Uma das suas especialidades é a constelação familiar, uma ferramenta para ajudar as pessoas a encontrarem resolução individual para seus problemas. “Acredito em um trabalho terapêutico individualizado, no qual sou apenas a mediadora que ajuda a concretizar mudanças pessoais e profissionais. Creio que quando se chega ao núcleo do problema, você encerra as consequências desse problema”, pontua. E conclui: “Estamos no mundo não para sofrer, mas para sermos felizes. E cada um de nós tem a capacidade e o direito de ser de fato feliz”.

 

Em 2018, a terapeuta decidiu fazer sozinha o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, com 309 km: “Eu aprendi que poderia fazer o trajeto no meu ritmo, de modo adequado ao meu corpo e à minha idade”, explica

Os talentos da criativa idade têm sede de conhecimento

A doutora Ana Paula Lisboa Sohn, de 46 anos, é coordenadora do curso superior de extensão da Universidade Criativa Idade, da Univali (Universidade do Vale do Itajaí). “Toda terminologia antiga que remete à terceira idade e à velhice é inapropriada para a maioria das pessoas dessa geração. Por isso, preferimos definir o nosso público como pessoas interessantes e interessadas”, explica.

O objetivo maior do curso, que é ministrado no campus de Florianópolis, segundo ela, é ampliar o potencial humano, e isso é feito de variadas formas. “Temos uma metodologia de trabalho que busca a integração de diferentes gerações. Embora o curso seja aberto para todas as pessoas, a faixa etária predominante é de quem está entre os 50 e 70 anos. Outra observação da coordenadora é de que as mulheres ainda são maioria.

Na Universidade Criativa, os alunos têm aulas de história da arte, psicanálise, design, moda, fotografia, empreendedorismo, novas tecnologias, bem-estar e beleza. A primeira turma de “alunas criativas”, como elas mesmas se autodominam, graduou-se recentemente, no início de dezembro. Juntas, essas alunas fizeram uma viagem de navio para celebrar a amizade e a união entre elas e a conclusão do curso.

“Esses adultos crescidos querem aproveitar a vida de uma forma que ultrapasse o conceito de ‘bon vivant’. Acima de tudo, querem ampliar o estoque de conhecimento e a percepção acerca da vida”, afirma Ana Paula. E acrescenta: “Precisamos quebrar o paradigma da doença e revelar o talento dessas pessoas, pois muitos deles estavam adormecidos durante a vida adulta”.

Chefe, mergulhador, empresário e a pessoa mais feliz do mundo

Há 30 anos, ele é um dos chefes mais experientes da culinária marítima da Capital. Mergulhador profissional e empresário, Narbal Côrrea, 56 anos, é tudo isso e muito mais. Dono de quatro restaurantes voltados para a culinária de frutos do mar, o empresário conta que gosta de “inventar moda”, e é por isso que cada negócio que abre tem proposta diferente e inovadora.

Mas antes da paixão pela cozinha, seu amor é pela pesca submarina. Foi com ela que recebeu dois recordes de captura de garoupa, um brasileiro e outro mundial. Uma das invenções de Narbal foi assar uma garoupa em apenas três minutos em um forno de finalização de alta tecnologia, o que o fez ganhar o título de melhor garoupa do mundo.

Extremamente bem-humorado e sorridente, ele declara que adora tudo o que faz e que, portanto, trabalhará até o último dia da vida. “O tempo para mim é só uma convenção. Faço tudo o que faço desde os 30 anos e nunca parei”, declara. Narbal diz não ser religioso, mas existe uma lei em sua vida: “Se a gente conversa com o universo, ele também conversa com a gente”, confessa com um otimismo invejável.

E foi assim que Narbal realizou pesca submarina e esportiva em diversas ilhas da costa brasileira, do Panamá, da Costa Rica, de Galápagos, dos Açores, da Patagônia e até da Antártica. Em 2014, Florianópolis teve a chancela da Unesco como a Cidade Criativa da Gastronomia, e desde então ele foi eleito coordenador de uma confraria de chefes locais.

Já foi convidado para dar aula em uma praça pública na China sobre culinária brasileira e ainda este ano embarcará para a Tailândia com o objetivo de também dar aula sobre nossa culinária, agora no Blue Elephant, um dos melhores restaurantes tailandeses, onde preparará uma moqueca com ingredientes locais e o dendê brasileiro.

No início de 2020, também se lançará como autor de um livro junto com o amigo Amílcar D´Ávila de Melo. Ambos estão escrevendo sobre a cronologia da gastronomia ilhoa, obra intitulada “E vem do mar”. Segundo ele, outros mais virão. Animado, conclui: “Eu não conheço nenhuma pessoa mais feliz do que eu”.

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