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05 Nov
Autor: HELOÍSA LETÍCIA POLL - http://www.gaz.com.br Categoria: Aposentadoria Estou aposentado, e agora? Dicas para curtir a vida com um novo ritmo

Enquanto muitos sonham com a aposentadoria, em Santa Cruz, 53.129 pessoas já vivem essa realidade. Diante da nova fase da vida, alguns se deparam com um questionamento: “o que fazer agora?” Se não der para passar os próximos anos viajando pelo mundo, a dica é encontrar novas ocupações profissionais e, até mesmo, tempo para dedicar aos hobbies, esquecidos em meio à correria da uma vida pautada pelas carreiras profissionais.

 

É justamente nessa linha que segue o cotidiano de Ruben Dick, 72 anos. “Trabalho mais agora do que antes”, brinca o aposentado. Costureiro por 28 anos, hoje realiza trabalhos manuais em sua residência, no coração de Santa Cruz, onde sempre atendeu sua clientela. É no artesanato, em peças de tapeçaria, mantas, bordados, bolsas e muitas outras que se encontra em movimento, ao lado da mulher Gisela Dick, 82.

 

Na companhia da cachorrinha, a linguicinha Mel, o casal compartilha os dias na sala de costura, ao lado do jardim da casa. “Muitos que se aposentam não sabem o que fazer, mas não dá para parar”, afirma. Além da rotina de trabalho, Dick também procura realizar outras atividades. Entre elas estão sessões de fisioterapia e as aventuras na cozinha, de onde surgem pães, cucas e doces. “Se aposentar não é o fim.”

 

 

Ruben Dick, de 72 anos, realiza os trabalhos manuais em sua residência

 

Para se movimentar, inclusive, Dick precisa apenas atravessar a rua. É na sede da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Santa Cruz do Sul (Apopesc) que encontra suporte de um fisioterapeuta. No local, os associados, como ele, ainda podem solicitar acupuntura, aulas de pilates, atendimento com clínicos gerais e cirurgião-dentista, além de assessoria jurídica, conta o presidente da entidade, Guenter Reitzer.

 

Esses serviços são oferecidos, justamente, para atender a uma demanda que vem crescendo: no tempo livre, muitos aposentados acabam procurando novas ocupações, sejam elas profissionais ou de lazer. “A entidade aconselha sempre, a todos, a se ocuparem com alguma atividade para que a mente esteja sempre ativa”, comenta Reitzer. Hoje, a Apopesc conta com, aproximadamente, 1,5 mil associados, oriundos de Santa Cruz e, também, de outros municípios, como Rio Pardo e Vera Cruz.

 

Reitzer: a mente deve estar sempre ativa

 

Na ativa

Apesar de aposentado há oito anos, Anselmo José Rauber Scherer, de 63 anos, decidiu seguir na ativa, em sua empresa de transportes. Durante a semana, no entanto, encontra um tempo para se dedicar ao pilates, na Apopesc. “Não dá para parar”, conta o santa-cruzense que procurou a prática após uma cirurgia na coluna.

No local, o acompanhamento da fisioterapeuta Andréa Weigel garante atividades específicas, direcionadas à idade e à realidade de cada um. “Com o tempo acabamos perdendo o equilíbrio, a flexibilidade e a força muscular. Por isso o pilates é uma boa opção para os aposentados”, afirma.

 

Anselmo José Rauber Scherer, de 63 anos, decidiu seguir na ativa

 

O trabalho como terapia

Após uma vida agitada, em meio aos compromissos de gerência de grandes instituições, como o Sesc de Santa Cruz, Luiz Paulo Konzen, 58 anos, sentiu os reflexos da aposentadoria. Acostumado com uma vida social intensa, a nova rotina trouxe dificuldades de adaptação. Com isso surgiu, também, a depressão.

 

“Me aposentei em abril de 2017. Mais tarde, comecei a procurar emprego. Enviei mais de vinte currículos e não obtive retorno algum. Foi quando desanimei de vez”, lembra. Em janeiro deste ano, com o incentivo da filha, ele decidiu se cadastrar como motorista de aplicativo.

 

Konzen: dificuldade de adaptação

 

Desde abril, já são mais de 4 mil viagens, com média 4,95 na avaliação dos passageiros (a nota máxima é 5). Para ele, a atividade é como uma terapia. “Na vida a gente precisa interagir, estar no meio das pessoas.”

Para o tempo livre, opções no município não faltam

 
Dança e esportes estão entre as práticas que mobilizam idosos em Santa Cruz
 

Seja em grupos de terceira idade, no trabalho voluntário, em oficinas específicas ou até mesmo em agências de viagens, opções não faltam para o público aposentado em Santa Cruz. Confira, a seguir, o que algumas instituições oferecem.

ATIVIDADES VARIADAS

Serviço Social do Comércio (Sesc)

O Sesc mantém um grupo de Maturidade Ativa, com reuniões semanais, nas quartas-feiras. Nos encontros os frequentadores podem participar de jogos, atividades físicas, oficinas variadas, como tecnologia do celular, entre outros. De acordo com a facilitadora do grupo, Francieli da Silva, também são oferecidas oficinas de bocha, memória, dança, yoga, artesanato, tricô e ginástica. Além disso, a entidade incentiva a realização de viagens, campanhas e ações sociais e a integração com outros grupos. Mais informações podem ser solicitadas na sede, na Ernesto Alves, 1042, ou pelo telefone (51) 3713 3222.

Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc)

Desde 1996, a instituição mantém o programa Terceira Idade na Unisc, com foco no público a partir de 60 anos. Entre as atividades, a Universidade do Adulto Maior (Uniama) contempla um curso de extensão multidisciplinar de dois anos. A ideia é oferecer um espaço de educação permanente. Há também opções gratuitas, como dança e ginástica e grupos de convivência. Para a coordenadora, Sâmara Berger, a participação garante diversos benefícios aos aposentados. “É uma forma de ressignificar o viver e transformar a vida”.

Além disso, os cursos de graduação da universidade também recebem um grande número de alunos com idades a partir de 50 anos. Conforme dados referentes ao Censo 2017, fornecidos pela Pró-Reitoria de Gradução (Prograd), no momento há 13 alunos com 65 anos ou mais. Dos 50 ao 54, o número é ainda mais expressivo: são 73.

Prefeitura

No Ambulatório de Diabético/Hipertenso e Idoso, na Rua Ernesto Alves, 1298, são realizadas diversas ações. Na segunda-feira, por exemplo, teve início mais um grupo de atividades físicas no local. De acordo com o coordenador Alexandre Butzke, as aulas gratuitas, específicas para idosos, ocorrem todas as segundas-feiras, das 15h45 às 16h45. Para participação, a inscrição pode ser feita no próprio local. O técnico em enfermagem também coordena o programa Saúde na Maturidade, com a realização de palestras e outras atividades.

 

Além disso, a Prefeitura mantém o projeto Maturidade Esportiva, com aulas de ginástica, dança, alongamentos, basquete reloginho e câmbio. Atualmente são 18 núcleos no município, com a participação de 800 pessoas. Já o Projeto Reativar, outra proposta permanente, realiza caminhadas orientadas no Campo Municipal, no Parque da Oktoberfest, no Parque São Luís e em Monte Alverne. Conforme a coordenadora Cândida Severo, ambas as propostas são gratuitas. Mais informações estão à disposição no Departamento de Esportes, junto ao Ginásio Poliesportivo.

Uma etapa de oportunidades

Planejar essa nova fase da vida com antecedência é fundamental, acredita a psicóloga Jaci Carvalho Vendruscolo, 67, que fala com propriedade sobre o assunto. Aposentada desde 1995, quando deixou de exercer atividades como servidora pública, na Fazenda, hoje se dedica à psicologia. A graduação, concluída em 2001, inclusive, foi um dos grandes projetos de Jaci para a aposentadoria.

 

Jaci Carvalho Vendruscolo, de 67 anos, é psicóloga

 

“Essa é uma fase que faz parte da vida de todos. E, por isso, não pode ser temerosa, mas encarada como uma oportunidade”. Com o conhecimento e a experiência adquiridos com o tempo, o empreendedorismo e a dedicação aos hobbies esquecidos surgem como possibilidades. Participar de grupos diversos, corais e manter dedicação especial à saúde física e psíquica também devem ser prioridade. “Ao me aposentar não vou deixar de ser quem eu sou. Continuarei me construindo”, aponta Jaci.

 

Apesar de haver uma questão cultural, que relaciona aposentadoria à velhice, essa é uma ideia que vem perdendo a força, aos poucos. Para Jaci, “ela pode ser encarada como um prêmio”. E apesar de representar mais tempo livre aos beneficiados, o momento de “curtição” também precisa ter prazo de validade. “Nossa vida é construção de momentos. Na aposentadoria também é importante que cada um construa uma rotina, após o período de gozo”, comenta a psicóloga, que dá suas dicas. Confira:

As dicas

- Construir uma agenda de horários e administrá-la conforme as próprias necessidades e desejos;
- Não sair do quarto com roupão, pijama e pantufa. “Isso transmite um conforto ilusório e não pode ser algo habitual. É preciso sair da zona de conforto, cuidar da aparência, sair com os amigos”;
- Paticar atividade física, se manter em movimento, cuidar da saúde mental e social;
- Sentir-se útil. “Cada um vai se identificar em tantas possibilidades oferecidas”;
- Manter-se atualizado. Praticar leituras, ter assuntos para conversar, estar disposto a mudar de opinião;
- Dar ‘tchaus’ para a fase que passou e partir para outra. Se necessário, procurar ajuda profissional.

 

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